Tecnologia

11 tecnologias que impactam os negócios

Em meio à “digitalização do mundo”, há uma série de direcionadores que estão colocando o mercado em um novo patamar de gestão e competitividade.

Por Marco Antonio Barbosa

Janeiro-Março 2017

Todos os aspectos da sociedade contemporânea passam hoje por um acelerado processo de transformação digital. Especialistas definem o fenômeno como o conjunto de efeitos decorrentes da digitalização do mundo – ou seja, o processo de mudanças possibilitadas pela conversão da informação analógica em dados digitais.

Essa nova era tecnológica já está alterando as estruturas socioeconômicas, os padrões organizacionais e o dia a dia das pessoas. E o mundo dos negócios não é exceção nesse cenário. É preciso entender as novas possibilidades tecnológicas e como suas aplicações podem mudar os processos produtivos, as formas de gestão e a experiência do cliente – ou seja, a construção de um novo modelo de negócio. Confira, a seguir, alguns dos principais direcionadores da transformação digital, as oportunidades oferecidas e os desafios que apresentam:

Um novo vocabulário para o gestor digital

  • Internet das Coisas
  • Analytics
  • Smart cities
  • Inteligência artificial
  • Plataformas autônomas
  • Impressão 3D
  • Realidades virtual e aumentada
  • Blockchain
  • Health analytics
  • Indústria 4.0
  • Tecnologias exponenciais

Internet das Coisas (IoT)

O que é: a interligação digital entre objetos físicos – eletrodomésticos, veículos, acessórios pessoais e máquinas em geral –, viabilizada por sensores, softwares e conexões em rede. Permite que esses objetos coletem e troquem dados entre si.

Como apoia o negócio: expande o potencial de análise e processamento de informações, melhora a colaboração e a comunicação entre áreas distintas e traz novas possibilidades de automação de processos.

Desafios de implementação: aumento dos riscos cibernéticos e necessidade de investimentos em gestão e armazenamento de dados (inclusive de terceiros).

Setores mais impactados: serviços de saúde, mercado financeiro, planejamento urbano, logística, telecomunicações e infraestrutura.

Analytics

O que é: processos digitais que permitem descobrir, interpretar e correlacionar padrões identificáveis em grandes volumes de dados desestruturados (big data).

Como apoia o negócio: usados na gestão de business intelligence, potencializam o desempenho das empresas ao analisar quesitos como otimização de estoque, tendências de consumo, prognósticos sobre investimentos, previsões de vendas e riscos de crédito, entre outros.

Desafios de implementação: necessidade de investimentos relativamente altos em modernos sistemas de bases de dados, capazes de explorar todas as possibilidades do big data.

Setores mais impactados: mercado financeiro, varejo, seguros, marketing e educação.

Smart cities

O que são: cidades cujo planejamento e serviços de infraestrutura fazem uso intensivo de tecnologias de comunicação digital e sistemas de IoT.

Como apoiam o negócio: por meio da distribuição de sensores que coletam dados em tempo real e os compartilham via IoT; essa quantidade de big data – relativa a setores como trânsito e mobilidade, distribuição de energia elétrica e água, segurança e outros – é empregada na gestão do ambiente urbano e no planejamento para o futuro.

Desafios de implementação: demanda de investimentos públicos em infraestrutura e carência de capital humano capacitado.

Setores mais impactados: administração pública, infraestrutura, TI, arquitetura e urbanismo.

Inteligência artificial

O que é: sistemas digitais capazes de perceber mudanças nas condições que os cercam e de tomar decisões autônomas que garantam o cumprimento de uma tarefa específica.

Como apoia o negócio: máquinas “inteligentes” já são usadas em diagnósticos médicos, data mining (exploração de informação relevante em grandes volumes de dados), automação de processos industriais, planejamento, veículos autodirigíveis e pesquisa, entre outros campos.

Desafios de implementação: nível ainda relativamente baixo de disseminação, capacitação e conhecimento a respeito do tema.

Setores mais impactados: indústria de transformação, transportes, logística, infraestrutura, instituições de pesquisa e TI.

Plataformas autônomas

O que são: sistemas de gerenciamento e integração de processos digitais, capazes de se autoconfigurar, auto-otimizar e fazer o monitoramento de seus próprios recursos. Um exemplo são sistemas de robótica industrial dotados de sensores e softwares que recebem e analisam dados de outros setores da fábrica (estoque, manutenção e TI). Assim, conseguem, sem interferência humana, se comunicar com eles, reduzindo gargalos e racionalizando o uso de recursos físicos e digitais.

Como apoiam o negócio: ao inserir níveis cada vez maiores de digitalização e automação em qualquer processo interno, com o acompanhamento em tempo real de transações importantes e a organização de tarefas de TI (processamento, análise e acesso a dados) de ponta a ponta.

Desafios de implementação: desconhecimento sobre as possibilidades e os recursos, além de oferta ainda pequena de soluções nacionais.

Setores mais impactados: TI, manufatura, indústrias aeroespacial e automotiva e mecatrônica.

Impressão 3D

O que é: desenvolvidas desde a década de 1980, as impressoras 3D são capazes de esculpir, de forma rápida e acessível, modelos tridimensionais a partir de projetos digitais. Podem usar fusão a laser, fundição a vácuo ou moldagem por injeção para criar objetos em cera, nylon ou poliuretano.

Como apoia o negócio: ao eliminar várias etapas do processo de prototipagem de todo tipo de objeto. Antes restrita a instalações fabris complexas, a criação de protótipos agora é feita de modo rápido e com custo baixo.

Desafios de implementação: dependência de material e know-how importados, além de custos ainda altos para pequenas empresas.

Setores mais impactados: manufatura e indústria de transformação, setores médicos (ortopedia e próteses), design de produtos, engenharia eletrônica e arquitetura.

Realidades virtual e aumentada

O que são: a realidade virtual emprega tecnologia para aumentar a sensação de imersão e de realismo na interface entre uma máquina e seu usuário. Já a realidade aumentada integra informações digitais (imagens, vídeos, etc.) com o mundo “físico”, criando ambientes mistos em tempo real.

Como apoiam o negócio: simulações altamente realistas de diversos tipos podem ser criadas com a realidade virtual e com a realidade aumentada, incluindo a imersão do usuário em cenários digitais e a manipulação de objetos virtuais. É possível criar aplicações educacionais, ambientes para capacitações e treinamentos e atividades lúdicas e interativas.

Desafios de implementação: oferta ainda pequena de tecnologia nacional e falta de entendimento sobre os conceitos (ainda muito associados a videogames).

Setores mais impactados: telecomunicações, TI, educação e treinamento e indústrias criativas e de entretenimento.

Blockchain

O que é: uma base de dados que permite a construção de uma lista (potencialmente infinita) de registros de transações entre duas partes. Seus registros são acessíveis e abertos, mas invioláveis e permanentes. Popularizado com o uso de criptomoedas, como o bitcoin.

Como apoia o negócio: descentralizado, seguro e mantido de forma autônoma, o blockchain pode ser usado para registrar a assinatura de contratos e apólices, negociações de títulos, verificação de identidades, prontuários médicos e várias outras aplicações.

Desafios de implementação: de modo geral, suas possibilidades são pouco conhecidas; exige investimentos extras em segurança digital.

Setores mais impactados: mercado financeiro, seguros, empresas de câmbio e remessas de valores e financiamento P2P (crowdfunding).

Indústria 4.0

O que é: a chamada “quarta revolução industrial”, que lança mão de diversos recursos aqui relacionados (plataformas autônomas, IoT, analytics, etc.) para dinamizar processos produtivos tradicionais.

Como apoia o negócio: com a introdução de seis conceitos: interoperabilidade (integração entre máquinas, softwares e pessoas), virtualização (modelos virtuais de simulação de fábricas), descentralização (sistemas que tomam decisões sem intervenção humana), capacidade em tempo real (coleta de dados fornecidos por sensores via IoT), orientação a serviço (serviços físicos ou digitais oferecidos via cloud computing) e modularidade (capacidade de adaptação e reposição de componentes individuais).

Desafios de implementação: conceitos e custos ainda distantes da realidade de pequenas e médias empresas.

Setores mais impactados: todos os tipos de indústria.

Health analytics

O que é: o uso de tecnologia de analytics e big data aplicado a serviços de saúde e medicina.

Como apoia o negócio: a integração das ferramentas de analytics ajuda na criação de históricos médicos completos sobre os pacientes, acompanhamento de doenças crônicas e hábitos de saúde, cenários a respeito da incidência de doenças específicas, prognósticos sobre custos de coberturas e análises orçamentárias, entre outros temas.

Desafios de implementação: necessidade de investimentos relativamente altos em modernos sistemas de bases de dados, capazes de explorar todas as possibilidades do big data.

Setores mais impactados: setor médico em geral, operadoras de planos de saúde, seguros e TI.

Tecnologias exponenciais

O que é: qualquer tecnologia à qual possa ser aplicada a Lei de Moore (“a capacidade de processamento dos computadores dobra a cada 18 meses, sem aumento de custo”). Todas as inovações abordadas neste painel são, em alguma medida, tecnologias exponenciais, que se beneficiam do avanço acelerado e da queda de custos do processamento de dados.

Como apoia o negócio: além dos exemplos citados, pode-se citar robótica, nanotecnologia, hipercomputação, bioinformática e nanoenergia, entre outros usos. O fundamental é compreender a velocidade da implantação dessas tecnologias e como cada uma delas pode ser aplicada à inteligência de negócios da empresa em um prazo cada vez mais curto.

Desafios de implementação: o assunto ainda é novidade mesmo no exterior; diversidade e alcance das aplicações podem ser fatores muito complexos para empresas com baixo nível de digitalização.

Setores mais impactados: potencialmente, todos os setores da economia.